segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Capítulo 13 - Ele

Abri os olhos devagar. Estava escuro, muito escuro. Fui passando a mão pela parede para encontrar o interrupitor. Justin não estava do meu lado. Estranhei, mas não reclamei, ele precisava ir para a casa dele descançar, já tinha me ajudado demais.
Levantei da cama e fui em direção à porta. Tive que me segurar para não cair, estava um pouco tonta. Desci as escadas devagar acendendo a luz de cada cômodo que eu passava.
Fui até a cozinha beber um pouco de água e comer qualquer coisa que tivesse lá. Cereal, foi a única coisa que achei.
  - Meu deus, são 3 horas – eu sussurrava para mim mesma ao ver o horário.
Fiz meu cereal e fui até a sala assistir televisão. Fiquei paralisada deixando o cereal cair no chão fazendo com que a tijela quebrasse ao ver o que tinha acontecido. Comecei a chorar, desesperadamente, me levantei e pisei numa parte quebrada do pote que fez meu pé sangrar, e me fez gritar.
  - Ashley, o que aconteceu filha? – minha mãe descia as escadas preocupada
  - Cuidado! Tem pedaços de vidro no chão – eu dizia mostrando meu pé para ela.
Ela não se aproximou do cereal derramado no chão e veio na minha direção me ajudando. Foi até o banheiro e pegou curativos. Por um momento esqueci do que tinha visto na televisão, a dor era grande demais para substituir qualquer outra.
  - Ai! Isso arde!
  - Eu sei, mas é melhor – ela falava – Agora fique quieta Ashley!
Após amenizar o sangue e limpá-lo do chão da cozinha e da sala, minha mãe perguntou de algo que eu havia esquecido.
  - Ashley, como você derrubou a tijela?
Na hora, lágrimas saíram dos meus olhos quando me lembrei da cena.
  - Calma filha, se acalme, eu não estou brava, só perguntei...
  - Não é isso mãe – eu soluçava tentando explicar
Ela me trouxe um pouco de água e esperou eu me acalmar para poder contar para ela.
  - Mãe, eu acordei e não vi Justin do meu lado, desci até a cozinha para comer alguma coisa e liguei a televisão – eu falava chorando – E vi o noticiário. – respirei – O papai, a casa dele pegou fogo e não sei o que aconteceu, só que eu ouvi o homem falando que duas pessoas haviam morrido e só uma tinha conseguido escapar.
Os olhos de minha mãe ficaram vermelhos e ela começou a chorar procurando desesperadamente o telefone.
  - Dave? Dave? Dave?
  - Quem está falando? – uma voz desconhecida perguntava
  - É a Courtney, Dave você esta bem? – ela berrava ao telefone
  - Ah, olá Sra. Cox, aqui é o detetive Brian, eu queria lhe avisar que...
O telefone caiu de suas mãos, ela se apoiava no sofá chorando.
  - Alô? – Eu respondia pegando o telefone caído no chão
  - Quem fala?
  - Ashley, filha do Dave.
  - Boa noite Srta. Cox, estamos tentando ter contato com vocês há mais de uma hora, mas ninguém atende ao telefone. – ele se explicava enquanto eu erguia o pescoço para procurar o telefone, fora da base. – Se você viu o noticiário, seu pai foi um dos sobreviventes, mas está sendo internado agora mesmo aqui no hospital de Winnipeg.
  - Mas eu moro em Ottawa! Não acho que consigo um vôo agora, mas se conseguir te aviso assim que puder tudo bem? E como esta a situação do meu pai?
  - Tudo bem. – ele respirava – Não está das melhores, eu confesso, tente vir para cá o mais rápido possível.
  - Ok, tentaremos. Boa noite e obrigada, assim que chegarmos eu te procuro, qual o seu nome mesmo?
  - Brian. Detetive Brian.
  - Ok, obrigada.
Desliguei o telefone. Minha mãe estava apoiada sobre as mãos chorando.
  - Mãe... Mãe... – eu tentava lhe avisar – MÃE! – eu dei um berro o mais alto que pude.
Ela me olhou assustada, então eu abaixei e coloquei as mãos em seu rosto explicando para ela o que tinha acontecido. Enquanto eu subi até meu quarto para me arrumar, e fazer minhas malas, ela ligava para o aeroporto para ver o horário dos vôos.
  - Ashley? – eu ouvia alguém gritando
Abri a janela. Era Justin.
  - O que aconteceu amor? Ouvimos gritos e ficamos preocupados.
  - Meu pai, a casa dele pegou fogo e ele esta internado em Winnipeg e estamos indo agora mesmo para lá... – eu dizia limpando as lágrimas.
Justin entrou. Eu estranhei, mas continuei arrumando minhas coisas até que ele me chamasse de novo. Coloquei algumas coisas em uma bolsa e dei um berro:
  - Mãe, que horas é o próximo vôo?
  - As 4! – ela gritava de seu quarto
  - Será que dá tempo?
  - Tem que dar!
Fui até o banheiro, eu estava tremendo. Prendi o cabelo e lavei o rosto. Encostei o pé no chão e senti uma dor enorme. Talvez com o desespero que estava não tenha sentido a dor enquanto arrumava as coisas.
  - Ashley? – Justin gritava
  - O que?
  - Que horas é o próximo vôo?
  - As 4, porque? – perguntei confusa
  - Eu e minha mãe estamos nos arrumando. Vamos com vocês.
Não reclamei, eu iria precisar dele lá, e minha mãe também precisaria de uma amiga. Fui até o quarto dela avisar que Pattie e Justin iriam conosco. Ela questionou, mas eu a contrariei dizendo que iríamos precisar de alguém para nos ajudar. Pegamos nossas coisas, e descemos.
Dinheiro, passaporte, celular, carregador... – eu sussurrava para mim mesma para conferir tudo.
Minha mãe apagava as luzes da casa, enquanto eu ía até a casa do lado para chamar Pattie.
Toquei a campainha uma vez, e ouvi ela gritar que já estava vindo. Enquanto isso, minha mãe tirava o carro da garagem. 3:25h, eu me apavorei. Toquei mais uma vez a campainha, então Justin e sua mãe apareceram na porta. A trancaram e saíram.
  - Courtney, você não pode dirigir nesse estado, deixa que eu dirijo – Pattie reclamava indo em direção de minha mãe que entrava no carro.
Justin me abraçou muito forte, segurou minha mão e me levou até o carro. Jogamos todas as mochilas no porta-malas, e fomos. Passamos quatro casas, e vi Tom com a cabeça para fora da janela confuso ao ver nosso carro correndo as três da manhã.
Abracei Jus chorando, enquanto ele tentava me acalmar. 3:40h, chegamos no aeroporto. Pegamos nossas mochilas e praticamente corremos para comprar as passagens, pelo menos eles correram, eu não conseguia, meu pé doía demais. Justin foi comigo apoiada em seu braço.
Assim que compramos as quatro passagens, fomos para fila. 3:55h, meu coração batia forte a cada segundo.
Mostramos os passaportes, as passagens e entramos.
  - Conseguimos. – eu suspirei alto.
Eu e Justin sentamos um do lado do outro e minha mãe e Pattie sentaram juntas a duas fileiras da gente. Escondi meu rosto com as duas mãos e comecei a chorar, não aguentei mais segurar.
  - Calma amor, vai dar tudo certo – ele dizia beijando minha testa e me puxando para perto dele.
  - Como você pode ter certeza disso Justin?
  - De verdade, eu não tenho. – eu me assustei quando ele disse isso – A única coisa que eu  certeza é que se nada der certo, eu vou estar do seu lado, te ajudando a superar tudo isso.
Eu sorri. Como? Eu juro que não sei. Mas sorri, e o beijei de leve.
  - Obrigada por estar aqui comigo, eu não sei o que seri...
Meu celular tocou. Me assustei, e limpei as lágrimas para conseguir ler. “Nova mensagem de: Tom.” Me esquecendo que Justin conseguia ver a mensagem a abri.

“Ash, o que aconteceu? Vi o carro de sua mãe saindo. Estou preocupado, me mande notícias. Eu te amo.”

Justin suspirou alto. Eu não entendi, mas deixei para perguntar depois e respondi a mensagem.
“A casa do meu pai pegou fogo, e ele esta internado, minha madrasta e mais alguém morreram, estou no avião indo para o pronto-socorro de Winnipeg, assim que tiver notícias eu te aviso, se alguém perguntar por mim, avise-os por favor s2.”
  - O que foi meu amor? – eu perguntei muito confusa – Aconteceu alguma coisa?
  - Não Ash, não é nada – ele sorria – Não se preocupe.
  - Justin, o que você tem? Eu te conheço, por favor, o que esta acontecendo?
  - Não é nada meu amor. – ele mentia – É-É que, ah, quer saber, não é nada Ash, não quero criar mais problemas.
  - Suas coisas e você não são problemas para mim, nunca foram. O que aconteceu?
Nova mensagem de: Tom
“É, eu estou vendo agora no noticiário, mas só foram você e sua mãe sozinhas? Pode deixar eu aviso. Fique bem. EU TE AMO.”
Olhei rápidamente. Justin parecia normal, talvez não fosse o que eu estava pensando, ou ele sabia mentir muito bem.
“Não, Justin e Pattie estão com a gente. Ficarei bem, não se preocupe, agora volte a dormir, desculpe te acordar. Boa noite, ily.”
Desliguei o celular. Conversei um pouco com Justin e deitei em seu peito para relaxar um pouco, eu precisava. Minha cabeça e meu pé doíam, não aguentava mais chorar, meus olhos doíam demais e meu coração estava quebrado em pedaços, uma pequena parte dele ainda tinha esperanças, estava torcendo para que essa parte aumentasse. Não conseguia entender meus próprios pensamentos, eles estavam confusos demais.
  - Descanse um pouco Ashley, a viagem vai demorar.
  - Você também merece um pouco de descanço não acha?
Ele sorriu. Me puxou para mais perto dele, e me deu um leve beijo na testa. Se acomodou junto comigo. Eu segurei sua mão, forte. Depois de tantas dúvidas eu sorria, eu era tão boba. Ficava me questionando da onde eu tirava tanta força para superar tudo aquilo, enquanto minha resposta sempre esteve do meu lado. Era ele o meu porto-seguro, o meu anjo, a minha força.
Puxei nossas mãos para perto do meu rosto e beijei a dele.
  - Eu te amo.
  - Eu também te amo.
Fechei os olhos, precisava descançar para aguentar tudo que viria em seguida. Não sei se tudo realmente acabaria bem, mas eu sabia que não importa o que acontecesse, ele estaria ali comigo, do meu lado, segurando a minha mão. Era o que eu precisava, era a única coisa que importava. Ele. 

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Capítulo 12 - Eu Te Amo

Mesmo tendo que “fingir” estar bem para não se preocuparem comigo, sentia enjoo toda vez que Justin freiava o carro. Quinze minutos depois chegamos até o hospital. Justin ao ver que não me sentia muito firme para descer do carro me ajudou e foi me segurando pela cintura até o quarto de Nicole.
Não me sentia muito bem naquele hospital, mas eu respirava devagar para me acalmar. Precisava ver a Nic. Pedi para entrar primeiro para fazer uma surpresa a ela.
 - Ash? – ela falava fracamente tentando se levantar da cama – O que você faz aqui?
 - Nicole fique deitada. – eu pedia – Vim aqui te ver, estava com saudades e preocupada.
Sentei um pouco ao lado de sua cama na poltrona por me sentir fraca demais para ficar em pé.
 - Nicole, tenho uma surpresa pra você.
 - Sério? Qual é? – ela sorria levemente e falava com voz baixa
Assim que ela perguntou para mim todo mundo entrou sorrindo e a cumprimentando. Tom foi o último. Os olhos de Nicole brilharam ao vê-lo.
 - Thomas?!
 - Ni! – ele dizia a beijando no rosto e abraçando-a.
Nicole ficou emocionada de ver todos ali com ela, só que não podia se levantar pelos aparelhos que a rodeavam. Pedimos cadeiras para a enfermeira e ficamos por um tempo ali conversando.
Meu coração doía por ver minha melhor amiga naquele estado e sem um resultado se iria ou não melhorar. Justin sentado no braço da poltrona em que eu estava me deu um beijo quando me ouviu suspirar forte. “Calma, vai ficar tudo bem.” - ele sussurrou em meu ouvido tentando me acalmar.
Sorri para ele, mas nada faria eu me acalmar ali. Nicole estava pálida com as mãos e o corpo gelados, ela não tinha forças nem para se sentar, e falava falhadamente. Era muito para uma menina de 16 anos aguentar. Eu sei que ela não fez certo em beber tanto, mas não me importava com isso. Era a minha melhor amiga ali, a ponto de morrer. “Retire essa última palavra, já!” – pensei comigo.
Ela viu a dor nos meus olhos e eu mordendo o canto dos meus lábios, e sabia que eu não estava bem. Segurou minha mão e sorriu para mim. Como eu conseguiria suportar isso? É, talvez não conseguisse.
 - Ashley? – Tom me chamava estalando os dedos na minha frente tentando fazer-me voltar para lá e sair dos meus pensamentos pessimistas.
 - Ah, oi. – eu ri tentando disfarçar
 - Esta tudo bem?
Respondi que sim com a cabeça segurando o choro e sorri segurando em sua mão.
 - O que foi Jus? – perguntei preocupada ao vê-lo revirar os olhos e respirar mais forte.
 - Nada Ash. – ele falava carinhosamente
Percebi talvez que estivesse com ciúmes de Thomas então resolvi soltar sua mão levemente e sem que ele percebesse o porque. Uma hora depois a enfermeira veio nos avisar que o horário de visita estava no fim e que precisávamos sair de lá. Nicole precisava descançar.
Nos despedimos dela.
 - Eu te amo Nic, melhora logo, por favor – eu não conti e deixei uma lágrima cair sobre seu braço.
 - Não chora Ashley eu vou melhorar logo. – ela me acalmava segurando forte na minha mão. – Eu te amo.
Justin me chamou na porta dizendo que a enfermeira estava sem paciência e que precisávamos ir. Soltei da mão de Nic e fui até a porta limpando as lágrimas.
Abracei Justin encolhendo os braços perto do rosto e ele colocando os seus em volta de mim dando um beijo em meu cabelo.
 - Não suporto de ver chorar, me parte o coração – ele sussurrava.
Respirei fundo. Era tudo isso que eu precisava ouvir, sua voz, e seu abraço me deu segurança. Limpei as lágrimas e dei um selinho carinhoso nele agradecendo.
Coloquei minhas mãos em sua cintura e ele colocava seu braço um pouco abaixo do meu ombro.
Não sabia o quanto ele me fazia bem. Mas ninguém conseguia me acalmar melhor do que ele.
Entramos no carro e não disse uma palavra até voltarmos para casa. Todos íam para casa de Jen de novo, não estava com vontade de ir e não queria estragar o dia deles então pedi para me deixarem em casa que precisava descançar. Não reclamaram do pedido porque sabiam que eu precisava me acalmar depois de passar mal.
 - Justin, porque você saiu do carro?
 - Porque eu vou ficar com você. – ele ria – O que você achou, que iria passar o resto da tarde sem mim?
 - Não precisava... – eu sorria
Ele me deu um leve beijo na testa e me segurou pela cintura me levando até em casa. Minha mãe ainda não tinha chego em casa. Subimos até meu quarto e Justin se sentou na cama enquanto eu ia até o banheiro trocar de roupa. Voltei de pijama e vi a cama arrumada.
 - Como assim, você vai dormir comigo? – eu perguntei espantada.
 - Bom eu sei que você vai dormir, eu vou colocar o fone ficar ouvindo música e não se preocupe comigo.
 - Eu já te disse que te amo hoje ou ainda não?
 - Já, mas eu adoro ouvir você falar isso – ele respondia me puxando até a cama pela mão.
 - Eu te amo, eu te amo, eu te amo... – eu dizia enquanto deitava na cama beijando Justin.
Começamos a nos beijar, doce e suavemente como sempre. O beijo dele se encontrava no meu.
Deitei com a cabeça em seu peito encolhida em baixo das cobertas e lhe dei um último beijo antes de dormir.
 - Eu te amo.
 - Eu te amo.